Blog EntryA existência não é sua inimigaJun 2, '08 6:15 PM
for everyone
Existem dias em que a vida nos parece cheia de dificuldades e problemas, quando nossos anseios e desejos insatisfeitos predominam de forma absoluta, e só conseguimos focar nossa atenção naquilo que nos falta.

Em outros, apenas porque algum destes problemas foi resolvido, mudamos totalmente nosso estado de espírito e, milagrosamente, tudo nos parece tão calmo e tranqüilo e nos sentimos serenos e confiantes.

Esta oscilação e mudança constante em nosso estado de ânimo, deve-se ao fato de que vivemos, o tempo todo, sob o domínio de nossa mente. Ela tem como característica essencial a agitação, a ansiedade e a expectativa permanente de que algo aconteça.

Na maioria das pessoas o que predomina é a expectativa negativa, ou seja, o medo e até mesmo a certeza de que não conseguirão realizar seus desejos e, portanto, a infelicidade sempre estará esperando-as no final da estrada.

O que as diferencia dos seres felizes e equilibrados, é exatamente a força que o ego e a mente negativa exercem sobre elas. Quem está sempre na expectativa de que algo de errado acontecerá, certamente chegará ao resultado que tanto imaginou.

Se, ao contrário, conseguirmos relaxar e alimentar a confiança de que o Todo nos trará aquilo de que necessitamos, uma nova consciência emergirá de dentro de nós e conseguiremos perceber quanta energia desperdiçamos ao cultivar o medo e a angústia antecipadamente, sem qualquer base em acontecimentos reais.

Além disso, esforços extraordinários e desesperados para alcançar qualquer meta, poderão afastá-la ainda mais de nós. Deixemos, pois, que a existência se revele a cada dia, nos mostrando sutilmente a direção que devemos seguir, sem que seja necessária qualquer batalha de nossa parte. Ela sempre se manifesta quando nos mostramos atentos e dispostos a perceber seus sinais.

“...se você pensa que algo é negativo, você não pode se tornar aberto. O próprio medo do negativo criará o fechamento. Você ficará fechado – você não poderá se abrir. O próprio medo de que algo possa causar-lhe dano... Como você pode se tornar vulnerável?

... Abra-se – e no próprio ato de abrir-se, tudo o que é negativo na existência, desaparece. Nem a morte é negativa então. Nada é negativo. Seu medo cria a negatividade... A existência não é sua inimiga. Como poderia ser? Você pertence a ela, você é apenas uma parte dela, uma parte orgânica. Como a existência pode ser sua inimiga? Você é a existência. Você não está separado; não há nenhum intervalo entre você e a existência.

... Se você está fechado, toda a existência é sua inimiga. Não que ela seja. Ela parece para você, que é inimiga. Quando você está aberto, toda a existência se torna sua amiga. Agora, quando você está fechado, mesmo o amigo é o inimigo.

... Como você pode amar, quando você está fechado? Você vive na sua prisão, eu vivo na minha prisão e, sempre que nos encontramos, somente as paredes da prisão tocam uma na outra - e nós ficamos escondidos atrás delas. Nós andamos dentro de nossas cápsulas: as cápsulas tocam-se uma na outra, mas lá no fundo permanecemos isolados.

... Se você tivesse conhecido a abertura, você não poderia sentir que algo pode ser nocivo para você. Então, nada mais seria nocivo. Eis por que eu digo até que a morte é uma bênção. Sua abordagem se torna diferente. Agora, para onde quer que você olhe, você olha com um coração aberto – essa abertura de coração muda a qualidade de tudo. E você não pode sentir que algo vá ser nocivo; você não pode perguntar como se defender – não há necessidade. A necessidade surge por que você está fechado”.

Osho, The Book of the Secrets.


Por Elisabeth Cavalcante

Blog EntryEstrelas e CometasDec 13, '07 8:42 AM
for everyone

Há pessoas estrelas e há pessoas cometas.

Os cometas passam.

Apenas são lembrados pelas datas

em que passam e retornam.

As estrelas permanecem.

Importante é ser estrela. Permanecer! Estar presente.

Marcar presença.

Estar juntos, ser luz, ser calor, ser vida.

Ser amigo é ser estrela.

Podem passar anos, podem surgir as distâncias,

mas a marca fica no coração.

Coração que não quer enamorar-se de cometas

que apenas atraem olhares passageiros.

Muitos cometas passam;

por momentos a gente bate palmas e eles desaparecem.

Ser cometa é não ser amigo.

É ser companheiro por instantes.

Há necessidade de criar um mundo de estrelas.

Todos os dias poder vê-las e sentir sua luz e calor.

Assim são os amigos estrelas na vida da gente.

Pode-se contar com eles. Eles são presença.

São coragem nos momentos de desânimo.

Ser estrela no mundo passageiro,

 neste mundo cheio de cometa,

é um desafio, acima de tudo, uma recompensa.

É nascer e ter vivido e não apenas existido.


Blog EntryPor que temos tanto medo de ficarmos sozinhos?Nov 8, '07 12:38 PM
for everyone
Em primeiro lugar, eu diria que a resposta é óbvia e até genética: somos seres criados para a troca, para o relacionamento, para o amor! Somos seres em busca do prazer, da convivência, da reciprocidade. Seria como dizer que, em princípio, somos apenas metade do que podemos vir a ser.

Quando nos apaixonamos por uma pessoa, essa felicidade que mal cabe dentro de nós está a serviço de uma sensação muito especial. Temos a nítida impressão de que nos tornamos mais inteiros, mais preenchidos, melhores, mais fortes. É isso!

O encontro com o outro através do amor nos possibilita sentir partes de nós mesmos que não conseguimos quando estamos sós. E por causa dessas sensações maravilhosas é que sentimos tanto medo. Se, por um lado, temos medo de ficarmos sozinhos e, por isso, investimos tanto tempo e tanta energia na busca de alguém especial, que nos complete; por outro, também temos muito medo de encontrarmos esta pessoa, experimentar com ela todas essas possibilidades e, depois, perdê-la.
Assim, sozinhos ou acompanhados, parece que o medo está sempre a nos rondar, sempre nos colocando em estado de alerta e, enfim, roubando parte de uma felicidade tão almejada, tão desejada por homens e mulheres.

Costumo dizer que o medo é um sentimento bom. O medo é, na verdade, um grande mestre, desde que adotemos a seguinte regra: nem ignorá-lo e nem deixar que ele nos invada e nos paralise. O problema não está no fato de sentirmos medo, mas de deixarmos de agir e de viver por causa deste medo. Ou, por outro ângulo, ele pode se tornar um problema se o desprezarmos e, desta forma, não conseguirmos enxergar que ele pode ser um valioso aviso de que estamos indo pelo caminho errado, estamos fazendo a pior escolha.
Portanto, precisamos aprender a decifrar e respeitar o medo, mas não deixarmos que ele nos paralise, nos roube a coragem de arriscar e viver e amar!

Creio que o grande segredo esteja além do medo. Na verdade, se estamos sós ou se estamos comprometidos não é o que mais importa. O mais importante é como estamos com a gente mesmo? O quanto a solidão está se caracterizando pela falta do outro ou pela falta de nós mesmos?

Definitivamente, um relacionamento não tem a função de arrancar de nós a sensação da solidão. Milhares de pessoas são casadas, dormem acompanhadas todas as noites de sua vida, têm família, amigos, emprego, vizinhos e, ainda assim, vivem mergulhados numa profunda e dolorosa solidão! São pessoas que se sentem trancadas em si mesmas, ouvindo o eco de suas próprias vozes e de suas próprias dores sem saber para onde ir, sem entender que para aflorar e renascer para o mundo é preciso que encontrem não um grande amor, não um parceiro melhor ou que lhes pareça mais adequado, mas que se permitam, antes, um encontro consigo mesmas!

A meu ver, as palavras-chaves para a grande transformação, para a felicidade continuada e genuína, são: autoconhecimento e consciência! Quanto mais consciente de si mesmo você estiver, mais você saberá o que quer, para quê está aqui, o que veio fazer na Terra e, enfim, quem é você!

O amor, o casamento, o romance ou qualquer outro tipo de relacionamento só podem nos trazer preenchimento, prazer e “respostas” se, antes de mais nada, soubermos onde estão as nossas portas. Precisamos aprender a entrar dentro de nós. Precisamos conhecer cada um de nossos cômodos, de nossas luzes, de nossos cantos, de nossas janelas... Precisamos decifrar nossos enigmas, encontrar nossos tesouros e, por mais difícil que seja, admitir nossos lixos e limpar e organizar a imensa bagunça que nós mesmos fizemos (ou deixamos que fizessem) dentro de nós!

Isso tudo não é trabalho para um final de semana prolongado, mas para a vida inteira, todos os dias! E por mais trabalho que dê (e dá mesmo!), volto a repetir: não existe nenhuma outra chance de você se tornar inteiro e sentir-se, de uma vez por todas, livre da solidão, a menos que você resolva parar de buscar lá fora e comece a procurar dentro de você o que há de mais importante: a sua singularidade.

Porque uma vez encontrada, você estará pronto para o amor e saberá que a solidão é somente uma questão de acender ou apagar a sua luz, de abrir ou fechar a sua porta. De entrar ou sair de dentro de você!

Rosana Braga 

Blog EntryElogio ao amor PuroSep 12, '07 11:20 AM
for everyone

Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido.
Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.
Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade,ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há. Estou farto de conversas,farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão covardes e tão comodistas como os de hoje.São incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia,são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem,tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides,borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalzinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor.
É essa beleza.
É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode.Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A"vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que
não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária.
A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém.
Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder.Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

                                  Texto de "O amor é fodido" de Miguel Esteves Cardoso


Blog EntryNas Minhas MãosJul 30, '07 11:45 AM
for everyone

 
Tenho nas mãos dois caminhos
duas decisões, mesmo quando tudo parece desabar,
cabe a mim decidir, entre rir ou chorar,
entre ir ou ficar, entre desistir e o lutar.
Se o mar está revolto, posso ficar na praia,
ou sair para pescar e talvez,
nunca mais voltar.

Tenho nas minhas mãos o bem e o mal,
e entre eles poucos pensamentos,
um diz para fazer sem culpa,
o outro pensa, reflete e pede para esperar.
Enquanto o mundo se perde em erros,
posso me manter sereno, sem medo,
porque tenho a chave da minha vida,
nas minhas mãos.
Então, hoje me sinto mais forte, atravessei os desertos da alma.
amei quem não me amou, e deixei de lado quem muito me amava,
coisas de afinidade, sentimentos vagos da alma,
e atravessei caminhos nem sempre floridos,
que deixaram marcas profundas em mim,
mas amei e fui amado...

Por isso, tenho nas mãos bem mais que a vida,
tenho a duvida e a certeza,
a esperança e o medo,
o desejo e a apatia,
o trabalho e a preguiça,
e me dou o direito de  errar sem me cobrar,
e acertar sem me gabar,

Porque descobri no caminho incerto da vida,
que o mais importante é o decidir,
e decidi de uma vez por todas,
ser simplesmente feliz,
e esse caminho não tem volta.
 
 
Paulo Roberto Gaefke

Blog EntryTão seu !Jul 27, '07 11:18 AM
for everyone
Eu sinto sua falta
Não posso esperar tanto tempo assim
O nosso amor é novo
É o velho amor ainda e sempre

Não diga que não vem me ver
de noite eu quero descansar
Ir ao cinema com você
Um filme à toa no Pathé

Que culpa a gente tem de ser feliz
Que culpa a gente tem, meu bem
O mundo bem diante do nariz
Feliz aqui e não além

Me sinto só, me sinto só, me sinto tão seu
me sinto tão, me sinto só e sou teu

Eu faço tanta coisa
Pensando no momento de te ver
A minha casa sem você é triste
E a espera arde sem me aquecer

Não diga que você não volta
Eu não vou conseguir dormir
À noite eu quero descansar
Sair à toa por aí

Me sinto só, me sinto só, me sinto tão seu
me sinto tão, me sinto só e sou teu

Eu sinto sua falta
Não posso esperar tanto tempo assim
O nosso amor é novo
É o velho amor ainda e sempre

Que culpa a gente tem de ser feliz
Eu digo eles ou nós dois
O mundo bem diante do nariz
Feliz agora e não depois

Me sinto só, me sinto só, me sinto tão seu
me sinto tão, me sinto só e sou teu

Ps: pra você dengosa !

Blog EntryESPREITANDO A MORTEJul 27, '07 10:44 AM
for everyone



                        É a Morte — esta carnívora assanhada —
                        Serpente má de língua envenenada
                        Que tudo que acha no caminho, come...
                    — Faminta e atra mulher que, a 1 de janeiro,
                        Sai para assassinar o mundo inteiro,
                        E o mundo inteiro não lhe mata a fome!

Augusto dos Anjos (trecho do Poema Negro)

Ps:
ESPREITANDO A MORTE;
Em 1994, o fotógrafo Sudanês Kevin Carter ganhou o prêmio Pulitzer de foto jornalismo com uma fotografia tomada na região de Ayod (uma pequena aldeia em Suam), que percorreu o mundo inteiro.
A figura esquelética de uma pequena menina, totalmente desnutrida, recostando-se sobre a terra, esgotada pela fome, e a ponto de morrer, enquanto num segundo plano, a figura negra expectante de um abutre se encontra espreitando e esperando o momento preciso da morte da garota.
Quatro meses depois, abrumado pela culpa e conduzido por uma forte dependência às drogas, Kevin Carter suicidou-se.
By Maysa

Blog EntryAmar BonitoJul 27, '07 10:20 AM
for everyone


Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor.Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito.
Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.Tenho visto muito amor por aí. Amores mesmo, bravios, gigantescos, descomunais, profundos, cheios de entrega, doação e dádiva.

Mas esbarram na dificuldade de se tornarem bonitos. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos de jardineiras. Aí, esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais, e repente se percebem ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram, exigem, rotinizam, descuidam, reclamam, deixam e compreender, necessitam mais do que oferecem, mais do que atendem, enchem-se de razões.

Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor. Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reinvindicar, de exigir justiça, eqüidade, equiparação, sem atinar que o que está com a razão talvez passe por um momento de sua vida na qual não possa ter razão. Nem queira.Ter razão é um perigo; em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça, mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão.Ponha a mão na consciência.

Você tem certeza que está fazendo seu amor bonito? De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível?? Talvez não. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando deles devesse talvez um pouco esperar, para melhor valorizar tudo de bom que ele de vez em quando pode trazer.

Quem espera mais do que isso, sofre e sofrendo deixa de amar bonito.Sofrendo deixa de ser alegre, igual, irmão, criança.
E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre. Recomendam-se: encabulamentos, ser pega em flagrante gostando; não se cansar de olhar e olhar; não atrapalhar a convivência, com teorizações, adiar sempre, se possível com beijos "aquela conversa importante que precisamos ter", arquivar, se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida.
Para quem ama toda a atenção é sempre pouca.

Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda a atenção possível. Quem ama bonito não gasta tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter. Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como crianças de nariz encostado na vitrine cheia de brinquedos dos nossos sonhos); não teorize sobre o amor: ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração; contar a verdade do tamanho do amor que você sente. Jogue para o alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabiamente eficazes (não é sábio ser sabido); seja apenas você no auge da sua emoção e carência; exatamente aquele você que a vida impede de ser.

Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteira, mas criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil. Revivendo os carinhos que intuiu em criança. Sem medo de dizer: eu quero, eu gosto, eu estou com vontade. Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito ou fazer bonito o seu amor, ou bonitar fazendo o seu amor, ou amar fazendo seu amor bonito (a ordem das frases não altera o produto) sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você, e nunca: deixaram, conseguiu, soube, pode, foi possível, ser.

Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz

Artur da Távola

Blog Entryo que não é amorMay 10, '07 5:39 PM
for everyone

O que não é Amor.

 Já falou-se tanto em amor, amizade e paixão... Que tal falarmos do que NÃO é amor ? Se você precisa de alguém para ser feliz, isso não é amor. É carência. Se você tem ciúme, insegurança e faz qualquer coisa para conservar alguém ao seu lado, mesmo sabendo que não é amado, e ainda diz que confia nessa pessoa, mas não nos outros, que lhe parecem todos rivais, isso não é amor. É falta de amor próprio. Se você acredita que "ruim com ela(e), pior sem ela (e)", e sua vida fica vazia sem essa pessoa; não consegue se imaginar sozinho e mantém um relacionamento que já acabou só porque não tem vida própria - existe em função do outro - isso não é amor. É dependência. Se você acha que o ser amado lhe pertence; sente-se dono (a) e senhor(a) de sua vida e de seu corpo; não lhe dá o direito de se expressar, de ter escolhas, só para afirmar seu domínio, isso não é amor. É egoísmo. Se você não sente desejo; não se realiza sexualmente; prefere nem ter relações sexuais com essa pessoa, porém sente algum prazer em estar ao lado dela, isso não é amor. É amizade. Se vocês discutem por qualquer motivo; morrem de ciúmes um do outro e brigam por qualquer coisa; nem sempre fazem os mesmos planos; discordam em diversas situações; não gostam de fazer as mesmas coisas ou ir aos mesmos lugares, mas sexualmente combinam perfeitamente, isso não é amor. É desejo. Se seu coração palpita mais forte; o suor torna-se intenso; sua temperatura sobe e desce vertiginosamente, apenas em pensar na outra pessoa, isso não é amor. É paixão. Agora, sabendo o que não é amor, fica mais fácil analisar, verificar o que está acontecendo e procurar resolver a situação. Ou se programar para atrair alguém por quem sinta carinho e desejo; que sinta o mesmo por você, para que possam construir um relacionamento equilibrado no qual haja, aí sim, este é o verdadeiro e eterno AMOR. Meu pai disse-me um dia: -"Filho... você terá três tipos de pessoa na sua vida: - Uma AMIGA, aquela pessoa que você terá sempre em grande estima, que você sabe que poderá contar sempre; que bastará você insinuar que está precisando de ajuda e a ajuda está sendo dada; - Uma AMANTE, aquela pessoa que faz o seu coração pulsar; que fará com que você flutue e nada importará quando vocês estiverem juntos; - Uma PAIXÃO, aquela pessoa que você amará, desejará incondicionalmente, às vezes nem lhe importando se ela lhe quer ou não, e talvez ela nem fique sabendo disso. Mas, se você conseguir reunir essa três pessoas numa só - pode ter certeza meu filho: - Você encontrou a felicidade.

Roberto Schimanski - 1928/1973


Blog EntryTudo sobre AquárioMay 8, '07 12:03 PM
for everyone

Aquário é o vôo que podemos levantar rumo à Perfeição e ao entendimento de que somos feitos à imagem e semelhança do Princípio e que a ele devemos "imitar".

Inteligência em Aquário:

A inteligência de Aquário tem a mesma natureza do elemento ar, ela não se detém, pode expandir-se e soltar-se em todos os momentos. A mente aquariana é criativa e abstrata, podendo perceber uma determinada situação de maneira inusitada, surpreendente e não viciada.

Para encontrar a sua liberdade de percepção, Aquário é capaz de ver as coisas pelo avesso. E se tudo fosse diferente? E se a verdade estivesse no contrário do que acreditamos? E se vivêssemos pelo avesso? E se não levássemos em conta os dados conhecidos? E se surpreendêssemos? É esta a clareza aquariana.
Além de inovadoras, as pessoas que nasceram com o Sol neste signo possuem uma grande capacidade de dedução, não precisando de muitos dados para chegar até uma função ou tendência. São rápidos no pensar, antecipativos e chegam mais depressa às idéias.

Quanto mais renovadora uma experiência, mais brilhantes são os aquarianos. Eles têm a inteligência para o novo, o improviso e o incomum. A clareza deste signo perde a força quando precisam se repetir ou trabalhar em esquemas previamente determinados.

O Aquariano consegue manter uma liberdade de ascensão frente às coisas, às situações e aos próprios sentimentos e experiências pessoais, mantendo-se a uma eqüidistância de tudo. É este distanciamento, este "estar fora" que lhes permite dar um tratamento igualitário às situações, sem estar vinculados a nenhuma delas em específico.

O Sol em um signo indica a natureza da intuição de uma pessoa, aquilo que ela enxerga imediatamente e sem dúvidas. A intuição aquariana se dá de forma elétrica, por espasmos, aos saltos, em forma de insight, como um raio que de tempos em tempos rasga o céu e produz clareza.

 

A simbologia em Aquário

Aquário simbolicamente está associado às ondas do conhecimento que são derramadas do céu para repotencializar e renovar a criação aqui na terra. É a figura ondulatória, evocando sempre a paixão pelo que está em movimento, pelo que está mudando, pelo que está sendo renovado. Esse imenso movimento libertador que nos permite afinidades espirituais e fraternais com o universo é um dos principais fundamentos da natureza do aquariano.

O símbolo do aguadeiro, do anjo derramando, com uma ânfora, fluídos sobre o universo é a evocação de toda generosidade, de todos os ideais, de todas as verdades e sinalizações necessárias para o homem se repotencializar e poder imitar o Sagrado.

Aquário é a expressão das portas abertas, das saídas das prisões. Expressam um necessidade visceral de independência. Sua originalidade e seu anseio de inovar o estimula a acabar com os limites do concebível num continuo turbilhões de concepções revolucionárias. É a intensa busca de semelhança com o infinito. "O homem tem em si mesmo o céu e a terra"(Santa Hildegarde de Birgem). O homem tem que se libertar das prisões materiais e se ligar, se inspirar com o céu de potencialidades que existe dentro dele.

Aquário é a compreensão do ar que liberta o mundo rígido, que o liberta de tudo que asfixia, devolvendo-lhe um sopro de esperança. É a libertação de todos os pesos e servidões que aprisionam e impedem a alma humana de ir ao encontro com o infinito. É a consciência da não necessidade de técnicas, da não necessidade de pagar passagem para ir ao céu. É a compreensão do verdadeiro prazer em ser livre, em voar independente das normas e das limitações. O prazer em voar e mostrar que existe uma igualdade entre o homem e o Sagrado.

Aquário é o décimo primeiro signo. Após o auge, representado por Capricórnio, o homem revê sua vida e seus valores. A tradição que seguiu até então afigura-se-lhe agora como um edifício oco e cheio de injustiças. Já não há mais sentido em mantê-la. Não há mais também preocupação com o que a sociedade pensaria. O indivíduo tem já a experiência necessária para vislumbrar um mundo mais justo e igualitário. E para atingir este objetivo, irá rebelar-se, se preciso, e liderar outros em torno de suas idéias.

No hemisfério norte, o sol entra neste signo no meio do inverno. É o momento em que a cooperação e a solidariedade são importantes para a manutenção da vida comunitária, castigada pela severidade da natureza. O rigor do inverno compara-se na mente aquariana ao rigor do sistema social. A união de todos é seu sonho para a implantação de uma nova sociedade, fundamentada na colaboração mútua de todos os seus membros.

Inovação, cooperação e revolução são as palavras que melhor definem seu gênio irrequieto. Por onde passar o aquariano estará procurando quebrar as regras, e incitar a anarquia. Ao seu ver, a liberdade e a espontaneidade são uma das poucas coisas que realmente precisam ser incutidas na mente das pessoas.
Aquarianos gostam de trabalhar em grupos. Acreditam que cada um tem potencial próprio, independente de cor, credo, sexo ou idade. Mas ao mesmo tempo são extremamente individualistas. Abominam qualquer espécie de prisão, principalmente emocional.

Não chegam a ser frios como os nativos de capricórnio, mas emoção também não é seu forte. Seus ideais de fraternidade e igualdade baseiam-se, sobretudo na racionalidade. Isso adquire às vezes uma coloração curiosa: o aquariano será capaz de insistir em fórmulas ideológicas utópicas ou impraticáveis, sem conseguir pensar nas questões mais básicas e subjacentes ao problema. Esse distanciamento da realidade é um risco constante em sua vida.

A realidade lhe parece tão brutal, que ele pode rejeitá-la como um todo, recusando-se a ver nela algo de bom. Sua atitude chega perto da de um adolescente imaturo, cuja única diversão é contrariar a ordem preestabelecida.

São indivíduos bastante liberais. Costumam ter muitos amigos, e apreciam ficar várias horas ao seu lado. Não é incomum tratarem seus próprios parceiros amorosos como amigos, sem lhes dar qualquer privilégio adicional por estarem com eles dividindo a cama.

São visionários, sempre a olhar para o futuro, debochando do passado e ignorando o presente. Às vezes tornam-se tão aéreos (ar é inclusive o seu elemento), que as pessoas os consideram loucos, esquisitos e excêntricos. Sem contato com o mundo real, o aquariano se embevece com seus altos vôos e pode condenar a si mesmo, como Ícaro.

O aquariano típico é aquele camarada que estava bolando certas reformas religiosas antes de Lutero nascer, cantava a Internacional quando Lênin ainda freqüentava o grupo escolar e já imaginava a teoria da relatividade quando Einstein usava fraldas. Pode não ter tido o gênio destes três, mas, seguramente, enxergava tão longe quanto eles. Na pele de herege, cientista ou reformista social, o aquariano é o grande inventor do zodíaco, um utopista incorrigível, o livre-pensador um tanto aéreo, que nunca desprega a cabeça das grandes e nebulosas causas da humanidade.

Naturalmente, eles ficam tão vidrados em suas causas abstratas que não enxergam um palmo adiante do nariz: o aquariano é também aquele que, por amor a humanidade, às vezes não hesita em sacrificar um ou dois homenzinhos de carne e osso. Em contrapartida, são os seres mais despreendidos e despreonceituosos do sistema solar. Você nunca verá um aquariano racista ou machista, a não ser que seja um gravemente neurótico.

Muito mais comum será encontrá-lo numa roda de amigos discutindo sua nova teoria para a solução dos problemas nacionais: terceirizar o governo, contratando consultorias internacionais para ocupar os ministérios: Impraticável? Protestantismo, comunismo e teoria da relatividade também pareciam, no início.

DOENÇAS:
Está sujeito a doenças nos calcanhares, nas pernas, nas extremidades e na circulação venosa. A baixa vitalidade, a anemia, os distúrbios circulatórios - principalmente nas pernas - podem aparecer no aquariano. O cansaço, sonolência, fácil excitabilidade mental e nervosa, esquecimento das necessidades físicas podem advir num estado fragilizado.



TERAPIAS:
Aquarianos, em geral, sofrem de altos e baixos de voltagem nervosa. Como sua cabeça vai longe e rápido, estão sujeitos a alterações bruscas de ritmo psíquico. Ciclotímicos, eles passam abruptamente a uma rabugice infernal. Estas mudanças inexplicáveis de humor são normalmente seguidas de surtos de neurastenia, quando os aquarianos têm ímpetos de apontar um rifle para a janela do vizinho ou afogar na banheira o telefone que não pára de tocar.

Crises como estas são de fácil solução, e para isto basta recorrer ao arsenal psico-tecnológico high-tech: terapia por computador, biodança e alguns artigos importados como a dream-machine - as incríveis tiaras eletrônicas de ondas alfa que, uma vez presas à cabeça do aquariano, transmitem feixes relaxantes. São também muito úteis os recém-inventados óculos escuros plugados a um walkman com sons new-age, os quais, uma vez assentados sobre o nariz aquariano, emitirão ondas de harmonia e paz interior. Não adianta recomendar uma antiquada técnica de relaxamento zen se ela não vier acompanhada do kit eletrônico apropriado: a terapia para o homem do futuro tem que contar com o auxílio de engenhocas futuristas.


Blog EntryPara o amor perdidoApr 22, '07 2:26 PM
for everyone

Ps: um texto de Fernanda Young. ela chata pra burro, mas eu gosto das coisas que ela produz !

Fiquei triste. Num momento você estava aqui, no outro já não estava. Igual a um bicho de estimação que morre de repente e somem com o corpo.
Para onde foi tudo aquilo? Que tínhamos tão seguro. Tão certos de sua eternidade. Para onde foi, hein? Meu peito, depósito subitamente esvaziado, aperta-se no meio de tanto espaço.

Tento identificar o instante, quando o que tínhamos se perdeu. Mas nem sei se o perdemos juntos ou se juntos já não estávamos. Me desespera saber que um amor, um dia desses tão grande, possa ter desaparecido com tanta facilidade.

Como já disse, estou triste; e isso me faz acreditar no poder das cartas. Não falo de tarô, mas destas, escritas e mandadas ou não mandadas. Cheias de questões e metáforas, que assim, misturadas cuidadosamente, num cafona português polido, soam mais sensatas.

Qual poder espero desta carta? Simples: que deixe registrado este meu estranho momento. Quando o que devia ser alívio revela-se angústia. E a cabeça não pára, vasculhando cantos vazios.

Não gosto de perder as minhas coisas, você sabe. E hoje, cercada pela sua ausência, procuro o que procurar. Experimentando o desânimo da busca desiludida. Pois, se um amor como aquele acaba dessa maneira, vale a pena encontrar um outro? Será inteligente apostar tanto de novo?

Aposto que você está pouco se lixando para isso tudo. Que seguiu sua vida tranqüilamente, como se nada de tão importante tivesse ocorrido. E está até achando graça desta minha carta, julgando-a patética e ridícula. Você, redundante como sempre.

Só há uma coisa certa a respeito disso: não desejo resposta sua. É, esta é uma daquelas cartas que não são para ser respondidas. Apenas lidas, relidas, depois picadas em pedacinhos. Sendo esse o destino mais nobre para as emoções abandonadas.

Queria apenas pedir um favor antes que você rasgue este resto do que tivemos. Se algum dia, tendo bebido demais, sei lá, você acabar pensando tolices parecidas com estas, escreva também uma carta. Mesmo sem jamais saber o que você irá dizer, sei que ela fará de mim menos ridícula. Neste amor e, por isso, em todo o resto. Pois adoraria que você fosse capaz de tanto - escrever uma carta é um ato de desmedida coragem. E eu ficaria, enfim, feliz comigo, por tê-lo amado. Um homem assim, capaz de escrever bobagens amorosas.

Então é isso - como sou insuportavelmente romântica, meu Deus. Termino aqui essa história, de minha parte, contando que estas palavras façam jus ao fim do amor que senti. E deixando este testamento de dor, onde me reconheço fraca e irremediável. Porque ainda gostaria de poder acreditar que você nadaria de volta para mim.


Blog EntryO Mistério do Homem Apr 16, '07 6:11 PM
for everyone
PS:Um outro texto muito legal. esse foi escrito por Danuza Leão pra revista Claúdia.


Um homem alegre é muito bom. Com ele se passam noites adoráveis e fins de semana inesquecíveis; mas, para gostar mesmo, é preciso que exista no fundo de seus olhos uma certa melancolia, um certo mistério. Não há nada mais apaixonante do que aquele homem que de repente, no meio de uma festa, fica com o olhar perdido, em outra realidade. Aí começa o verdadeiro interesse: por onde andarão seus pensamentos? Não pergunte, para não obrigá-lo a mentir. As ciumentas poderão imaginar que ele está pensando em outra mulher. Mas não: ele está no próprio universo, sem ver as bonitonas - incluindo você -, distante de tudo. Homens assim viveram e sofreram, o que faz deles pessoas diferentes. Sinceramente: é possível conviver com um homem que acha que a vida é sempre uma canção? Até dá, mas só durante um almoço de sábado, o que não dá é para se apaixonar. Suponha que você conheça alguém muito interessante. Se isso acontecer no verão, ele terá o direito de ser um pouco mais alegre do que se espera de um homem. Poderá dar umas risadas e dizer certas bobagens, mas sem exageros; contar piadas, nem pensar. Com a temperatura acima dos 35 graus a permissividade aumenta, mas, se esse encontro se der no inverno, os procedimentos deverão ser mais cautelosos. Ninguém suporta um homem que ri o tempo todo. Também não estamos falando daqueles que tradicionalmente acordam de mau humor, esses só matando. Mas um homem precisa ter um mundo só dele, ao qual ninguém tenha acesso, nem você.
Para usar um termo bem fora de moda, ele não deve estar na sua, e sim na dele. Isso significa que ele deixará claro - sem que uma só palavra seja dita - que é capaz de sobreviver a tudo, até a sua falta. E, se isso acontecer, ele não dará vexame. Um homem na dele é um homem que encontrou seu equilíbrio mais profundo porque já sofreu; e só quem já sofreu sabe que conseguirá, sempre, sobreviver. Mesmo que ele embarque no mais lindo veleiro, com as mais lindas mulheres, no seu olhar sempre haverá um certo desencanto, típico dos que não têm mais ilusões. Cuidado: dificilmente você conseguirá chegar ao fundo do coração de um homem desses. Mas tudo é possível, e, se um dia isso acontecer, prepare-se para viver um grande amor.
Não será desses amores cheios de glamour e gargalhadas; será um momento mais contido, em que você pensará menos em sedução e mais em sentimentos. Não haverá tempo para comprar vestidos novos e sandálias plataforma; talvez vocês comprem um gato e um aquário com um peixinho dourado e passem horas olhando essas duas obras de arte da natureza. Os dias serão mais silenciosos, o telefone vai tocar menos, aos poucos os amigos irão se afastando, mas alguém precisa de amigos nessa hora? Vocês irão à feira juntos e acharão maravilhoso. Mas um dia você vai acordar com vontade de ir almoçar fora - sem ele - e tomar duas ou três cai pirinhas. É o início do fim, e ele vai perceber. Vai perceber e você vai sofrer, sabendo que aqueles foram os melhores tempos de sua vida. Mesmo assim, será inútil chorar ou pedir para ele ficar. Deixe-o ir antes que seja tarde (e você sabe do que estou falando). Ou pensava que um amor desses pudesse ser eterno?

Blog EntryUma declaração de amor.Apr 16, '07 6:06 PM
for everyone
PS:esse texto foi retirado de uma pagina chamada www.ticcia.com.br. eu gostei da forma que ela abordou o tema. eu sei que tenho muitas coisa pra falar no meu blog,mas não consigo escrever por esses dias

Uma declaração de amor.


Sim, os homens são lindos. Eu não me canso de olhá-los com espanto e e curiosidade, mas sobretudo, com admiração. Eu sou declaradamente apaixonada pelo masculino e sempre, e cada vez mais, dou graças aos céus, às convenções sociais e à genética por todas as nossas inúmeras e abissais diferenças. Homem é lindo, em seus modos, maneiras, rompantes, corpo, jeito, idiossincrasias, detalhes, peculiaridades, cheiros, gestos, manias. São muito diferentes entre si, claro, mas (e por isso mesmo) são semelhantes e sedutores naquilo em que são completamente diferentes das mulheres.

Eu me comovo com a beleza da amizade masculina, por exemplo. Enquanto a mulher liga todos os dias para dar o relatório dos últimos acontecimentos à melhor amiga, e fica horas ao telefone, e cada uma conta um pouco e comparam e competem e comentam, homem jamais teria paciência para isso (e isso é louvável). Eles raramente procuram seus amigos (mas nem por isso deixam de gostar muito deles). Quando procuram, é para beber e para falar de qualquer coisa (nunca o assunto é diretamente eles mesmos), embora eles sempre saibam entre si (ou pelo menos têm uma vaga idéia) do que está acontecendo um com o outro. Como? Bem, isso é uma incógnita. Digamos que eles se conhecem: pelos olhos, pelas pistas, pelos rastros, pela maneira que respondem a uma pergunta com um palavrão, ou com um aceno de mão que pede que não se fale num determinado assunto. Eles têm códigos herméticos. Sabem quando a coisa é séria e precisam do apoio um do outro - mas este apoio, veja bem, não tem nada a ver com aquilo que as mulheres reputam apoio: falar, contar, ouvir, discutir, chorar - com eles não há nada disso. Apoio é, por exemplo, ir beber, falar durante horas sobre o que quer que seja e não diga respeito ao assunto e, lá pelas tantas, trocar uma ou duas frases. É isso. Eles vão decidir sozinhos cada um o seu problema e sabem disso, mas tem o amigo para praguejar.

Outra coisa encantadora é a admiração que homem tem por mulher. Talvez não haja nada mais bonito do que isso: um homem admirando flagrante, ávida e inescrupulosamente uma mulher. Claro, educação e elegância são bons disfarces e são socialmente necessários, mas eu sou tomada de assalto por uma felicidade incontida cada vez que eu vejo um homem olhar uma mulher como fêmea. É bonito, é instintivo, é biológico e é completamente masculino. Amém. Às vezes eles nem sabem bem quem, ou o quê, estão olhando, mas eles olham - ô, se olham - e notam, e admiram e, lindo isso, desejam – mesmo subliminarmente, mesmo despercebidamente, mesmo en passant. Lindíssimo. A perpetuação da espécie agradece.

Homens também pouco falam (ou não falam) de seus sentimentos, muito provavelmente porque não ocupam muito do seu hard disc para compreendê-los, racionalizá-los ou defini-los. Homens acham que sentimentos são, veja só que estranho, para serem sentidos, não elaborados e catalogados e separados em gavetas com a devida classificação. Assim, se sentem e eles são bons, ótimo; se são ruins, às favas com eles. Falar e falar e falar e discutir poderia até ajudar de alguma maneira (eles reconhecem contrariados para evitar que você ache que eles são irracionais), mas dá tanto trabalho que não vale à pena. E, desculpem aqui as mulheres, isso é belíssimo. Você dificilmente vai encontrar um homem vivendo um sentimento idealizado e montado e feito sob medida para a ocasião (coisa que mulher a-do-ra), é ou não é? Se ele se apaixonar, é do primeiro ao quinto invertido, forte e consistente, mas sem drama, sem senões, sem isso ou aquilo. Sentimento para homem é, e pronto.

Por essas e por tantas outras razões (a capacidade que alguns tem de abandonarem-se ao prazer de brincar de novo como meninos, de levar a paixão pelo time às raias da inconseqüência tribal e à seriedade da preservação da honra, de serem pais de seus filhos com uma calma e uma segurança que pasma, de se colocarem a milhas da seriedade que mostram para o mundo quando gargalham e brincam com cumplicidade, de fazerem você crer que está tudo sob controle mesmo que não esteja), quanto mais eu os observo, quanto mais eu enxergo um pouco mais de suas vidas, mais eu admiro esses seres incríveis, doces, circunspectos, elementares, surpreendentes, adoráveis que são os homens.


Coluna: Madame Benvenisti

Blog EntryAndréa DóriaApr 2, '07 6:48 PM
for everyone
Às vezes parecia que, de tanto acreditar
Em tudo que achávamos tão certo,
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais:
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro.
Mas percebo agora
Que o teu sorriso
Vem diferente,
Quase parecendo te ferir.

Não queria te ver assim -
Quero a tua força como era antes.
O que tens é só teu
E de nada vale fugir
E não sentir mais nada.

Às vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto,
Até chegar o dia em que tentamos ter demais,
Vendendo fácil o que não tinha preço.

Eu sei - é tudo sem sentido.
Quero ter alguém com quem conversar,
Alguém que depois não use o que eu disse
Contra mim.

Nada mais vai me ferir.
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui
E com a minha própria lei.
Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais,
como sei que tens também...

Blog EntryERRAR É PRECISO Mar 30, '07 8:57 AM
for everyone
Uma sábia reflexão nos diz que quem arrisca novos projetos pode errar, mas quem não arrisca... já errou.
É a ousadia dos que se arriscam que move o mundo. E o erro foi desde sempre companheiro, conselheiro e estímulo da humanidade.
Se o homem permanecesse estático ou temeroso diante do medo de errar não teria
evoluído tanto.
Entretanto, o erro jamais será objetivo de alguém. O objetivo é acertar, não somente porque errar gera frustração, mas sobretudo porque o homem caminha em busca da perfeição, mesmo consciente de que nem sempre poderá alcançá-la. Mas essa caminhada deve ser confiante, serena, possibilitando a reflexão contínua.
Nesse sentido, os erros nos levam necessariamente à reflexão. As mentes vaidosas, soberbas, em geral, procurarão uma justificativa para o erro, até mesmo tentando negá-lo. Isso não deixa ser uma reflexão, porém de metodologia equivocada, proveniente do orgulho egoísta dos que se arrogam infalibilidade, superioridade em relação aos demais.
As mentes sadias, por outro lado, tenderão a buscar os porquês de seus erros e as correções de percurso. Isso é reflexão salutar. Um acerto pode nos servir de motivação para melhorarmos, mas um erro pode nos provocar muito mais, estimulando-nos. Imagine-se de quantas tentativas e erros a ciência se valeu para chegar aos patamares atuais!
Da mesma forma, nossas tentativas e erros diante das contradições da existência podem nos conduzir positivamente no processo de aperfeiçoamento interior, pois nos levam a refletir, a rever, a pensar.
Finalmente, vale lembrar que erros e acertos têm relação direta com a forma de encararmos a vida. Crer é poder. Pense positivo. Acredite.
Confie. Encha sua vida de otimismo. Expulsando o pessimismo de seu cotidiano, você certamente vai errar cada vez menos, acertando sempre mais.

Possamos a cada dia nos melhorarmos como pessoas...

Muita paz!

Recebido de Ligia

Blog EntryNÃO SEI - CORA CORALINAMar 21, '07 2:40 PM
for everyone
NÃO SEI

Não sei ... se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita.

Alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que acaricia,
desejo que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja curta, nem longa demais.
Mas que seja intensa.
Verdadeira, pura...
Enquanto durar.

Cora Coralina.

Blog EntryHUMILDADEMar 21, '07 2:38 PM
for everyone
HUMILDADE - de Cora Coralina


Senhor, fazei com que eu aceite

minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.

Não lamente o que podia ter

e se perdeu por caminhos errados

e nunca mais voltou.

Senhor, que minha humildade

seja como a chuva desejada,

caindo mansa,

longa noite e escura,

numa terra sedenta

e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,

minha cama estreita,

minhas coisinhas pobres,

minha casa de chão,

pedras e tábuas remontadas.

E ter sempre um feixe de lenha

debaixo do meu fogão de taipa,

e acender eu mesma,

o fogo alegre da minha casa

na manhã de um novo dia que começa.


Do livro "Tempo de Orar", de Cora Coralina (1976)

Blog Entrydesejo primeiro -Vitor HugoMar 20, '07 3:53 PM
for everyone
Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você sesentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
Eque pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono dequem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar esofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
Eque se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

Blog EntryBRILHAR OU NÃO BRILHAR:EIS A QUESTÃOMar 18, '07 9:03 PM
for everyone

Ps: um verso de uma amiga !

BRILHAR OU NÃO BRILHAR:EIS A QUESTÃO

O que é ser competente, brilhar?

Alguém que já tem, carrega o brilho no nome, não precisa se esconder atrás de uma estrela

É preciso reconhecer seu próprio brilho, o que tem de luz, o que irradia por onde passa

Não precisa ser um sol para brilhar

Basta luzir com toda intensidade que possuir

Ser estrela não é fácil, requer coragem

Luz, Luzi, Luzineide...

Da Luz, Lúcia, Luiz, Estrela...

Reticências...

Luz que emana e ofusca

Irradia, contamina, se expande, se espalha...

Estrelas multicoloridas, diversas intensidades

Que pisca, pisca e cai

O brilho acaba e esta se apaga para sempre

Porém, antes vive anos-luz

Luz-anos

Os anos passam e eu fico aqui a luzir no escuro

Piscar alto para quem não vê

Ecoar brilho para quem não ouve

Esperar por um sussurro de luz de quem não fala

Mas, por que esperar de quem não fala, se seus olhos dizem tudo?

Por que esperar de quem não enxerga, se seus ouvidos já estão enebriados?

Por que esperar de quem não ouve, se o próprio silêncio já vibra energia?

Estou eu aqui na confusão entre brilhar e não brilhar

Ser ou não ser

Estrela

Acho que preciso reaprender a brilhar

Não sei lidar com minha própria luz

Temo ofuscar os ingênuos

Temo cegar os doces

Não sei controlar minha energia e

temo que ela possa machucar alguém ou

a mim mesma

ESTRELA,23//02/2007,23H30 APROXIMADAMENTE



Blog Entry"O que amamos quando amamos alguém?".Mar 17, '07 11:06 AM
for everyone
Confiram a lucidez e amplitude de visão do Rubem Alves ao analisar o Amor... O regente do Centro de Inteligência Cardíaco ou Emocional, segundo o Eneagrama.


Luíza de Andrade – Como responder à pergunta de santo Agostinho: "O que amamos quando amamos alguém?".

Rubem Alves – Essa pergunta não tem resposta nem solução. Ela é terrível porque quer dizer que eu estou amando você por equívoco, já que você é apenas o espelho onde uma outra coisa aparece. O que eu amo na realidade é essa outra coisa. Você, eu amo indiretamente. Pode até ser que eu deixe de amar você no dia em que eu perceber que este obscuro objeto de desejo não está mais sendo refletido em você. Os namorados têm que se acostumar com isso.

Luíza de Andrade – Aprender a viver junto é aprender, primeiro, a viver só?
Rubem Alves – As pessoas que não sabem viver sozinhas estão o tempo todo mendigando aprovação das outras. É preciso aprender a viver só, aprender a fazer silêncio, para poder conviver com o outro, porque dentro de cada um mora uma grande solidão. Há um lugar dentro da gente que ninguém vai, somente nós. E nem nós mesmos sabemos como é esse lugar. Então temos que aprender a respeitar a solidão do outro e a nossa própria solidão. Há pessoas que não suportam a solidão do outro, acham que, quando o outro quer ficar sozinho, é uma indicação de que ele não está amando. Não é nada disso.

Luíza de Andrade - O senhor já disse que o amor se revela a coisa mais triste quando descobrimos que não amamos quem pensamos amar e só nos resta alimentar da nostalgia que "rosto algum poderá satisfazer". O amor está fadado sempre a viver de nostalgia?
Rubem Alves - Há um verso da Adélia Prado que diz "O amor é a coisa mais alegre, o amor é a coisa mais triste, o amor é a coisa que eu mais quero". O amor está fadado a uma nostalgia pelo fato de que a gente sabe que o desejo da gente é possuir a pessoa amada. A sabedoria nos mostra que não é possível possuir nada, nem mesmo a nós mesmos. Então, porque eu nunca possuo, existe sempre uma pitada de nostalgia, sabe? É precisamente essa pitada nostálgica que torna o amor belo. O amor desapareceria se houvesse a certeza da posse.

Luíza de Andrade -3 Não é possível desejar quem está conosco e ser feliz, ao invés de sofrer com uma paixão correspondida?

Rubem Alves - Penso que é uma coisa muito boa a gente estar feliz com uma paixão correspondida. Tudo isso que eu falei não quer dizer que a gente não tenha a felicidade em uma paixão correspondida. Só que a gente nunca pode ter certeza. É como se tivesse um passarinho no dedo, mas o nosso desejo é botá-lo na gaiola. É aquela história da menina e do pássaro%6 Eu me lembrei agora da frase do apóstolo Paulo, do Novo Testamento, em que ele diz: "Tendo como se não tivesse".

Luíza de Andrade: Isso se aplica a todos os relacionamentos que envolvem afeto?
Rubem Alves: Claro. Veja a questão dos filhos. Quando era mais jovem, meus filhos estavam naquela fase difícil da adolescência. Saíam, passavam a noite inteira fora, era perigoso. Vários filhos de amigos nossos morreram em desastres, em confusões, era aquela angústia permanente que eu tinha. Até que um dia me dei conta de que precisava aceitar a possibilidade da morte dos meus filhos. Do contrário, estava perdido. Meus filhos podem morrer a qualquer momento, a pessoa amada pode morrer a qualquer momento. Ou pode simplesmente ir embora,O que é pior do que morrer. Quando ela morre, fica minha, sabe?
Se ela morrer eu sei que não vai me trair com ninguém. Está guardadinha na fotografia. Tem aquele poema do Cassiano Ricardo em que ele fala: "Por que é que mais me comove o seu retrato quando você mesmo está presente? É porque ele está eterno, fixado, fora do tempo." A possibilidade da perda existe, temos de aprender a conviver com ela. Se eu tiver medo de perder meus filhos, a minha tentação vai ser colocá-los em uma gaiola para que eles não se percam e, ficando numa gaiola, aí é que eles se perdem. É muito esquisito, mas tenho que aceitar o sofrimento de saber que eles podem voar e nunca mais voltar. Então tem sempre uma pitada de tristeza. Adélia estava certa.

Luíza de Andrade: O poeta Drummond diz que "amor com amor não se paga", o que pode ser traduzido também pelo verso da música "Amor e Sexo" da Rita Lee: "Amor é um, sexo é dois." Amar é solitário?

Rubem Alves: O poema do Drummond diz que todas as coisas do amor são gratuitas, você não paga nada. O caso é o seguinte: quando estou amando, posso amar sem ser amado. O amor pode ser solitário. O amor pode ser um ou pode ser dois. O amor que é apenas um é triste, pois não tem correspondência. A felicidade vem exatamente quando você tem os dois. Aí sexo fica sendo coisa de dois, porque é coisa do amor.

Luíza de Andrade: O que o senhor acha das cartas de amor?
Rubem Alves:Acho comovente. Tem uma tela do pintor Vermeer que é uma mulher lendo uma carta. É um quadro que tenho no meu quarto. A carta só tem sentido quando os dois estão separados. A carta é um sinal de solidão. A gente escreve não para dar informação. As informações não têm a menor importância, porque elas não fazem parte da essência da carta de amor. O que faz uma carta de amor é o fato de que um tocou aquela folha e o outro vai tocar a mesma folha de papel. Assim, você toca a carta, mas o outro não está lá. É por isso que a carta de amor tem essa beleza triste.

Luíza de Andrade:O senhor também a compara ao telefone.
Rubem Alves:Você não pode deitar com o telefone, nem abraçá-lo. Aí, a gente só fala coisas bobas. Numa carta você pode dizer que passou por uma rua, sentiu cheiro de jasmim, tantas coisas assim. No telefone, parece que essa intimidade é perdida porque ele não tem poder para guardar o amor.

Luíza de Andrade:Como fica o amor nos tempos da Internet?
Rubem Alves:O problema é que, mesmo se você imprimir o e-mail, não é possível guardar um perfume. Falta ao e-mail esse poder mágico das cartas de amor, mas é claro que você pode usá-los. Mas há desvantagens: na carta, você sabe que há intervalos e é nessa distância que acontece a saudade. O e-mail é tão fácil que não deixa isso acontecer. Por outro lado, têm possibilidades que a gente não explora. No filme "Alguém tem que ceder", há uma hora deliciosa que os personagens estão na cama e começam a se comunicar por Internet. E aquele se comunicar pela Internet é o início de um comunicar-se pela pele.

Luíza de Andrade:Em uma crônica, o senhor fala que "o nosso desejo é sempre o de engaiolar o outro e levá-lo para caminhos que são nossos". Há outra possibilidade de relação?
Rubem Alves:Isso acontece nesse momento entre nós. Você está me fazendo perguntas que são sobre os meus caminhos. E, querendo ou não, quando falo, estou tentando mostrar a você como eles são. Todos nós, o tempo todo, falamos sobre nós mesmos. Isso acontece não só no falar. Eu brinco que tenho vontade de inaugurar uma nova técnica de psicanálise em que o psicanalista pede que a pessoa leve à análise as fotografias que tirou no último ano. E nas fotografias dela está revelado o que ela considera como realmente importante. Porque quando eu fotografo, faço uma escolha.

Luíza de Andrade:É mesmo preciso que haja saudade para que o amor cresça? Um cotidiano feliz não pode ser, ao contrário, o que aproxima as pessoas?
Rubem Alves:O cotidiano é terrível. A Lya Luft escreveu, depois que o amado dela morreu, o Hélio Pelegrino, que com ele viveu pouco tempo, não houve tempo para a banalização da relação. O amor vive muito de fantasia, de encantamento. O cotidiano faz isso: a gente olha para a pessoa sempre tendo o perigo de se perder o encanto. Não acredito que haja uma relação amorosa que seja só de encantamento. Mas acho que uma relação amorosa que não tiver, de vez em quando, uma experiência de encantamento, é uma relação amorosa que não vai durar. Você me perguntou se eu acho que é possível viver junto amando. Eu acho que sim. Mas isso só é bom se preservar essa relação de encantamento e os dois não virarem sócios na empresa chamada casa, matrimônio.

Luíza de Andrade: O senhor evoca As Mil e Uma Noites para dizer que a arte de conversar é a sexualidade sob a forma da eternidade: É o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. A conversa é a solução para um amor duradouro?
Rubem Alves:É preciso dizer o seguinte: não adianta falar "ah, vamos dialogar". Eu brinco sempre com a minha mulher, quando um está meio ruim com o outro, que é conversando que a gente se desentende. Tem que dar um tempo. Mas a relação amorosa acontece exatamente na conversa quando você pode levar o outro para os seus caminhos.

É a conversa que abre para o mundo interior, o que seduz a outra pessoa. Mas isso não quer dizer "vamos dialogar", me